Novo Congresso será mais conservador – Antonio Augusto de Queiroz

*Por Antonio Augusto de Queiroz 

O próximo Congresso, eleito em 5 de outubro, será o mais conservador após a redemocratização do país, em 1985. A renovação – tanto na Câmara, que foi de 46,97%, quanto do Senado, que foi de 81,48% em relação às 27 vagas em disputa – foi para pior do ponto de vista dos direitos humanos e dos direitos sociais.Pelo menos três motivos justificam esse quadro conservador: os custos de campanha, o mote moralista da eleição e a redução das bancadas vinculadas aos movimentos sociais.

O primeiro motivo foram os custos de campanha, que se tornaram proibitivos para os candidatos sem vinculação com o poder econômico. Estima-se que o custo médio de uma campanha para deputado federal foi da ordem de R$ 2 milhões e para senador, de R$ 5 milhões.

O segundo foi o clima de exacerbado moralismo e o discurso de defesa das famílias, tanto do ponto de vista da suposta corrupção, quanto nas questões de gênero, como as relações homoafetivas, aborto, descriminalização da maconha, pesquisas com células tronco, numa espécie de cruzada contra a “violência” e a “degradação dos valores”.

O terceiro se refere à postura dos partidos de esquerda, que tem mudado seu perfil e priorizado os candidatos da máquina pública em detrimento dos oriundos dos movimentos sociais. A redução da bancada sindical, por exemplo, terá sérias consequências do ponto de vista da defesa dos interesses dos trabalhadores no Congresso.

Além da piora da composição, ainda querem atribuir aos partidos da base de sustentação do governo uma grande derrota. Divulga-se com ênfase, por exemplo, que houve uma redução exagerada dos partidos da base , como o PT, e um suposto crescimento dos partidos de oposição, particularmente do PSDB e do PSB.

É verdade que o PT perdeu 18 deputados em relação à bancada que elegeu em 2010, passando de 88 para 70 deputados. Mas o PSDB, tendo como parâmetro a bancada eleita em 2010, ganhou apenas um deputado, passando de 53 para 54, e não os dez que a imprensa divulga. O mesmo pode-se dizer do PSB, que elegeu 34 em 2010 e repetiu a mesma bancada nesta eleição.

Porém, como o objetivo é demonstrar que só o PT perdeu, omitem a bancada eleita em 2010 e citam apenas a bancada atual. Por esse critério, por exemplo, as bancadas do PSB e do PSDB teriam crescido dez deputados cada, enquanto a bancada do DEM teria perdido apenas seis deputados, quando, na verdade, considerado como parâmetro a bancada de 2010, houve uma queda de 43 para 22.

Há uma clara manipulação de dados e informações com o objetivo de favorecer as forças conservadoras. De um lado, negam as conquistas e avanços sociais, e de, outro, exageram na derrota dos partidos da base de sustentação do governo, sinalizando um grande crescimento dos partidos, o que não houve.

Portanto, todo cuidado é pouco nesse período de campanha no segundo turno. Com um Congresso conservador e um presidente liberal, que defende a pauta do mercado, seria a chamada tempestade perfeita. Fiquemos ligados.