Afastamento da Central dos Sindicatos Brasileiros aprofunda isolamento sindical de Temer

 

Com seis anos de fundação e já na marca de 800 entidades filiadas, a CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros) critica as reformas neoliberais de Temer, repudia a imposição de corte em direitos e marca seu distanciamento do governo. A Central, cujo presidente foi por décadas filiado ao PMDB, não compareceu à reunião com o Temer na quinta (20/7), no Palácio do Planalto, e publicou nota em que denuncia “o maior desmantelamento da estrutura e proteção aos direitos trabalhistas da história”.

Seu presidente, Antônio Neto, sindicalista do setor de TI (Tecnologia da Informação), participou na quinta do programa Repórter Sindical na Web, que este mês trata de Sindicalismo e Formação, dirigido pelo jornalista João Franzin. O dirigente, que também presidiu o Núcleo Nacional Sindical do PMDB, critica a condução das reformas. “O núcleo sequer foi avisado das reformas e também não foi chamado para debater seu conteúdo”, afirma Neto. Há poucas semanas, ele saiu do partido e denunciou a rendição do governo às teses neoliberais.

Antônio Neto também não poupa a subserviência do Senado Federal. Para o sindicalista, “os senadores cederam ao governo e abriram mão de seu papel constitucional de legislar”. Ele também lembra que Temer prometeu aos próprios líderes dos partidos vetar parte da reforma, para abrir negociações, mas não vetou. Ele questiona: “Se temos um governo que descumpre acordo com o próprio Senado, por que iria cumprir com as entidades sindicais?”

A CSB estuda com advogados e outros especialistas meios de barrar a reforma na Justiça. Neto questiona a constitucionalidade das medidas e vê desrespeito a Convenções Internacionais das quais o Brasil é signatário.

Na nota em que explica por que não se reuniria com Temer, a CSB alerta que o governo pretende retomar a reforma da Previdência, que desmonta a Seguridade garantida na Constituição. Para a Central, não há saída a não ser resistir. “O caminho para o movimento sindical é a resistência e a mobilização popular”, aponta Neto.

Fonte: Agência Sindical