Brasil só sai do limbo se houver confronto direto, diz o jornalista Mino Carta em palestra na CUT

 

“Sem abalo social e confronto direto, o Brasil não avançará”. A afirmação é  de Mino Carta, jornalista, escritor e diretor da CartaCapital, que falou na terça-feira (4/7) a dirigentes de diversas categorias e jornalistas da imprensa sindical. Ele abriu o Ciclo de Debates com a mesa “Liberdade de expressão em tempos de golpe”. Vagner Freitas, presidente nacional da Central, participou da abertura na sede nacional, no Brás, SP.

O jornalista fez duras críticas à classe dirigente brasileira, que ele chama de Casa Grande, e qualificou Temer, Jucá e outros do grupo dominante como “ladrões no poder de bandidos e quinta categoria”.

Nascido na Itália, Mino vive no Brasil desde 1946, onde construiu sólida carreira, à frente de importantes veículos, como o Jornal da Tarde e as revistas Veja e Istoé. CartaCapital, uma revista progressista, sofre com a crise econômica e boicote publicitário governamental. Por isso, setores sindicais se mobilizam por uma campanha de assinaturas nas entidades de classe, informa o metalúrgico João Cayres, secretário-geral da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM).

Crítico da grande imprensa, Mino rechaça seu caráter classista. Ele diz: “Nem digo que a mídia brasileira serve à elite, porque a elite já seria algo melhor. Na prática, serve à Casa Grande. Sem contar que é uma imprensa ruim, que maltrata o vernáculo”.

Alinhado à esquerda – que define como busca da igualdade – Mino Carta mantém fortes laços com o ex-presidente Lula, desde seu surgimento no sindicalismo. “Dei a primeira capa de revista a Lula, em fevereiro de 1978”, conta, sem deixar de criticar o tratamento dos governos petistas à mídia progressista. “Adotaram o critério técnico, que favoreceu os grandes meios”, comenta, para lembrar que, na Argentina, “os Sindicatos apoiaram o jornal Página 12 e a senhora Kirchner enfrentou os grandes grupos”.

Limbo – Para Mino Carta, o povo brasileiro vive à margem. “A classe trabalhadora é pobre e vive no limbo”, ressalta. Na visão do jornalista, o Brasil precisa de um partido de esquerda, de luta. “Sem confronto direto, não sairemos desse limbo em que se encontra o País”. Ele menciona o Partido Comunista Italiano, que tirou o país do atraso. Disse Mino: “A Itália tem pouca terra fértil e muita pedra, quase só pedra. Ainda assim, se tornou a quarta economia do mundo”.

Espaço – Mino Carta, afora o apoio a Lula e ao sindicalismo que ressurgia, lembra que lançou o jornal diário Jornal da República, outra de suas criações em 1979, com página sobre sindicalismo e trabalho. A ampliação da parceria entre CartaCapital e sindicalismo, junto à CUT e a outras entidades, segundo Mino, pode ajudar a revista a se erguer “Não temos anúncio do governo e de empresas, até porque muitos empresários quer apenas ser rentistas”, finalizou.

Fonte: Agência Sindical