Trabalhadores buscam reparação de cinco empresas colaboradoras da ditadura

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A luta dos trabalhadores por memória, verdade, justiça e reparação avançará – depois da representação contra a Volkswagen do Brasil que denunciou a colaboração da montadora com a ditadura civil-militar (1964-1985) entregue ao Ministério Público Federal no final de setembro passado. Os próximos passos foram definidos em meados de novembro durante seminário de três dias realizado no sindicato dos Químicos de São Paulo que reuniu cerca de 80 representantes de centrais sindicais, advogados e juristas.

“Foi muito ampla a dimensão da cooperação das empresas com a ditadura”, afirmou Sebastião Neto, diretor do IIEP (Intercâmbio, Informações, Estudos e Pesquisas) que orientou os participantes para a elaboração das novas representações a serem levadas ao Ministério Público Federal. “Um elemento importante na construção da representação é enquadrar a empresa como responsável por uma grave violação de direitos humanos”, explica documento distribuído aos presentes.

Podem caracterizar violação grave práticas como prisão ilegal e arbitrária; prisão sob condições indignas; sequestro; tortura; violação sexual; execução; assassinato; massacre; desaparecimento forçado e ocultação de cadáveres. Embora alguns crimes, como a intervenção em sindicatos não seja considerado grave, é necessário levar em conta que serviu como preparação para prisões ilegais e arbitrárias.

Quimicos-representacao-CSB-nov-2015Além de colaborarem com a ditadura civil-militar muitas empresas cometeram graves violações dos direitos humanos. Estão na mira do Fórum de Trabalhadores por Verdade Justiça e Reparação e deverão ser denunciadas ao Ministério Público Federal de São Paulo: Companhia Docas de Santos, Metrô de São Paulo, Embraer de São José dos Campos, Fiat de Minas Gerais e Petrobrás.

A Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) se fez representar no seminário pelo seu secretário geral, Álvaro Egea, que presidiu a mesa no primeiro dia de trabalhos (ao centro na foto acima), Lúcio Antônio Bellentani, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados da CSB e de seus diretores Ismael Antônio de Souza e Alcides Ribeiro Soares (na foto ao lado da esq. para a dir.).